- O período do Brasil Império teve início em 1822, com a proclamação da Independência, e durou até 1889, quando foi instaurada a República. Inicialmente, países europeus não reconheceram o reinado de D. Pedro I.
- Os Estados Unidos, que através da Doutrina Monroe defendiam a autonomia do continente americano, foram os primeiros a aceitar a emancipação política do Brasil. A Coroa Portuguesa somente reconheceu a independência do Brasil em agosto de 1825, após intervenção da Inglaterra, que obteve assim inúmeras vantagens comerciais. Portugal também recebeu 2 milhões de libras, a título de indenização.
- Durante o início do período imperial o país atravessava grave crise econômica. As lavouras tradicionais de exportação, como cana de açúcar, algodão e tabaco entraram em decadência com a concorrência de outros países. Além do mais, o Brasil tinha mais custos com a importação de manufaturas do que os ganhos obtidos com a exportação de produtos agrícolas.
- Para reaver o trono, o imperador decidiu ajudar financeiramente a luta contra D. Miguel em Portugal. Isso aumentou mais ainda a crise econômica e o descontentamento das forças políticas de oposição brasileira. Outros acontecimentos deixavam clara a insatisfação popular, como as Revoluções Liberais de 1830, protestos contra o assassinato do jornalista Líbero Badaró, que fazia críticas ao governo, e lutas de rua entre brasileiros e portugueses, como a Noite das Garrafadas, levaram D. Pedro I a abdicar, em 1831.
Pesquisar histórias
quarta-feira, 28 de junho de 2017
O BRASIL IMPÉRIO
Segunda República (1930-1936)

A Revolução de 30 foi o marco referencial para a entrada do Brasil no mundo capitalista de produção. A acumulação de capital, do período anterior, permitiu com que o Brasil pudesse investir no mercado interno e na produção industrial. A nova realidade brasileira passou a exigir uma mão-de-obra especializada e para tal era preciso investir na educação. Sendo assim, em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública e, em 1931, o governo provisório sanciona decretos organizando o ensino secundário e as universidades brasileiras ainda inexistentes. Estes Decretos ficaram conhecidos como "Reforma Francisco Campos".
- Criação do Conselho Nacional de Educação
- Organização do ensino secundário e comercial
- “Formação do homem para todos os grandes setores da
- atividade nacional”
- Universidades também sofreram nova orientação
Em 1932 um grupo de educadores lança à nação o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros conceituados educadores da época.
Em 1934 a nova Constituição (a segunda da República) dispõe, pela primeira vez, que a educação é direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos Poderes Públicos.
É publicada a nova Constituição Federal, determinando de maneira inédita a educação como um direito de todos os brasileiros, devendo ser disponibilizado pelo governo e pela família.
Com a criação da nova constituição, reformulando o ensino superior foram criadas a Universidade de São Paulo em 1934, e também a Universidade do Distrito Federal no Rio de Janeiro em 1935 (com a Faculdade de Educação na qual se situava o Instituto de Educação) por iniciativa do governador Armando Salles Oliveira, que possuiu um grande papel na educação;
A universidade do distrito federal apesar de não existir mais e leva outro nome hoje em dia (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
Nova República (1946-1963)

Com o final da Era Vargas é
criada uma nova Constituição Federal que, quanto à educação, colocou a
obrigação de todos os brasileiros cursarem pelo menos o ensino primário,
retomando as ideias propostas pelo Manifesto da educação Nova da década de
1930. Também delimitou como competência do governo federal a regulamentação de
todo o processo educacional brasileiro.
Em 1946 é elaborado um anteprojeto de lei propondo uma reforma geral na educação nacional, que somente foi aprovado 13 anos depois, surgindo, assim, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) organizando, de maneira efetiva, todo o sistema de educação no país.
Em 1950, na cidade de Salvador, o educador Anísio Teixeira inaugura o Centro Popular de Educação (Centro Educacional Carneiro Ribeiro), dando início a sua ideia de escola-classe e escola-parque.
Em 1952, no município de Fortaleza, o educador Lauro de Oliveira Lima inicia uma didática educacional com base nas teorias científicas de Jean Piaget e do seu Método Psicogenético; em 1953 a educação passa a ser administrada por um Ministério próprio: o Ministério da Educação e Cultura.
Em 1961 tem início uma campanha de alfabetização, cuja didática, criada pelo pernambucano Paulo Freire, tinha o propósito de alfabetizar em 40 horas os adultos analfabetos em grande quantidade no Brasil; em 1962 é criado o Conselho Federal de Educação, que ficou no lugar do Conselho Nacional de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação e, ainda no ano de 1962 é criado o Plano Nacional de Educação e o Programa Nacional de Alfabetização, pelo Ministério da Educação e Cultura, inspirado no Método Paulo Freire.
Em 1946 é elaborado um anteprojeto de lei propondo uma reforma geral na educação nacional, que somente foi aprovado 13 anos depois, surgindo, assim, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) organizando, de maneira efetiva, todo o sistema de educação no país.
Em 1950, na cidade de Salvador, o educador Anísio Teixeira inaugura o Centro Popular de Educação (Centro Educacional Carneiro Ribeiro), dando início a sua ideia de escola-classe e escola-parque.
Em 1952, no município de Fortaleza, o educador Lauro de Oliveira Lima inicia uma didática educacional com base nas teorias científicas de Jean Piaget e do seu Método Psicogenético; em 1953 a educação passa a ser administrada por um Ministério próprio: o Ministério da Educação e Cultura.
Em 1961 tem início uma campanha de alfabetização, cuja didática, criada pelo pernambucano Paulo Freire, tinha o propósito de alfabetizar em 40 horas os adultos analfabetos em grande quantidade no Brasil; em 1962 é criado o Conselho Federal de Educação, que ficou no lugar do Conselho Nacional de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação e, ainda no ano de 1962 é criado o Plano Nacional de Educação e o Programa Nacional de Alfabetização, pelo Ministério da Educação e Cultura, inspirado no Método Paulo Freire.
Primeira República (1889-1930)

Com a Proclamação da República, o Brasil adotou o federalismo e o poder, até então centralizado no imperador, foi dividido entre o presidente e os governos estaduais. O período foi marcado pelo desenvolvimento da indústria, pela reestruturação da força de trabalho - não mais escrava -, pelas greves operárias e pela Semana de Arte Moderna. No mundo, aconteceu a Revolução Russa, a Primeira Guerra Mundial e a queda da bolsa de Nova York. Essas transformações tiveram ecos na Educação. A ideia do ensino como direito público se fortaleceu e surgiram modelos que se perpetuaram.
No Brasil, com a Constituição de 1891, a União ficou responsável apenas pela Educação no Distrito Federal (então, o Rio de Janeiro). Os estados mais ricos assumem diretamente a responsabilidade pela oferta de ensino e os mais pobres repassam-na para seus municípios, ainda mais pobres.
No Brasil, com a Constituição de 1891, a União ficou responsável apenas pela Educação no Distrito Federal (então, o Rio de Janeiro). Os estados mais ricos assumem diretamente a responsabilidade pela oferta de ensino e os mais pobres repassam-na para seus municípios, ainda mais pobres.
Diante da fragmentação organizativa e da falta de uma orientação nacional, surgiram diversas propostas de reforma. Elas eram calcadas em diferentes ideais que passaram a disputar espaço. Os embates principais foram entre o positivismo e o escolanovismo, mas também estavam presentes os ideais católicos e o anarquismo.
As ideias positivistas ganharam força com a reforma de 1890, organizada por Benjamin Constant (1833-1891). Adepto das teses do filósofo francês Auguste Comte (1798-1857), ele foi nomeado chefe do Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos - primeiro órgão desse nível a se ocupar da Educação. Propôs mudanças nos ensinos primário (de 7 a 13 anos) e secundário (de 13 a 15 anos) do Distrito Federal, priorizando disciplinas científicas como Matemática e Física, em detrimentos das humanas - que eram o foco das escolas de primeiras letras, criadas no Império.
A resistência da elite e da Igreja católica impediram que o projeto de Constant avançasse, mas ele abriu espaço para outras propostas. A que alcançou maior êxito foi a reforma paulista, implementada de 1892 a 1896. Ela tinha como base a criação dos grupos escolares. Como relata Dermeval Saviani no livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil (489 págs., Ed. Autores Associados, tel. 19/3289-5930, 89 reais), esse modelo - que foi replicado na maioria dos estados - reunia em um mesmo espaço as antigas escolas de primeiras letras. O ensino passou a ser organizado em séries e os estudantes foram divididos por faixa etária.
Tornou-se necessário formar mais professores. A intenção do governo paulista era abrir quatro novas Escolas Normais, mas só a da capital saiu do papel no início da República. Paralelamente, foi criada uma solução rápida, mas de qualidade inferior: as escolas complementares. Foi preciso, também, estruturar a administração da Educação e formular diretrizes e normas. "Isso gerou novas relações de poder dentro das escolas e, a partir de 1894, surge o cargo de diretor escolar", registra Jorge Uilson Clark, no artigo A Primeira República, as Escolas Graduadas e o Ideário do Iluminismo Republicano: 1889-1930. A direção era reservada aos homens. Já as vagas de professores da Educação primária eram amplamente preenchidas por mulheres. Rosa Fátima de Souza, da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), destaca que era um trabalho socialmente aceito e elas concordavam em ganhar salários baixos, pouco atraentes ao público masculino.
Na base pedagógica da reforma paulista estavam princípios como a simplicidade, a progressividade, a memorização e a autoridade, fundamentada no poder do professor e em prêmios e castigos aos estudantes. Rosa complementa que os docentes eram bastante pressionados pelo estado. "Notamos uma preocupação nos relatos de professores da época em cumprir o programa. O aluno que repetia trazia um gasto extra que preocupava a escola", ela diz. A Educação, então, tinha um viés excludente, já que quem era reprovado (cerca de 50%) acabava deixavando de estudar.
"A exclusão também se dava em função da localização geográfica e do número de unidades escolares", explica Vera Lúcia Gaspar da Silva, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Embora grande parte da população estivesse no campo, os grupos eram construídos nas cidades. Nas áreas rurais, havia apenas escolas isoladas, com uma sala e alunos de diferentes idades.
A resistência da elite e da Igreja católica impediram que o projeto de Constant avançasse, mas ele abriu espaço para outras propostas. A que alcançou maior êxito foi a reforma paulista, implementada de 1892 a 1896. Ela tinha como base a criação dos grupos escolares. Como relata Dermeval Saviani no livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil (489 págs., Ed. Autores Associados, tel. 19/3289-5930, 89 reais), esse modelo - que foi replicado na maioria dos estados - reunia em um mesmo espaço as antigas escolas de primeiras letras. O ensino passou a ser organizado em séries e os estudantes foram divididos por faixa etária.
Tornou-se necessário formar mais professores. A intenção do governo paulista era abrir quatro novas Escolas Normais, mas só a da capital saiu do papel no início da República. Paralelamente, foi criada uma solução rápida, mas de qualidade inferior: as escolas complementares. Foi preciso, também, estruturar a administração da Educação e formular diretrizes e normas. "Isso gerou novas relações de poder dentro das escolas e, a partir de 1894, surge o cargo de diretor escolar", registra Jorge Uilson Clark, no artigo A Primeira República, as Escolas Graduadas e o Ideário do Iluminismo Republicano: 1889-1930. A direção era reservada aos homens. Já as vagas de professores da Educação primária eram amplamente preenchidas por mulheres. Rosa Fátima de Souza, da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), destaca que era um trabalho socialmente aceito e elas concordavam em ganhar salários baixos, pouco atraentes ao público masculino.
Na base pedagógica da reforma paulista estavam princípios como a simplicidade, a progressividade, a memorização e a autoridade, fundamentada no poder do professor e em prêmios e castigos aos estudantes. Rosa complementa que os docentes eram bastante pressionados pelo estado. "Notamos uma preocupação nos relatos de professores da época em cumprir o programa. O aluno que repetia trazia um gasto extra que preocupava a escola", ela diz. A Educação, então, tinha um viés excludente, já que quem era reprovado (cerca de 50%) acabava deixavando de estudar.
"A exclusão também se dava em função da localização geográfica e do número de unidades escolares", explica Vera Lúcia Gaspar da Silva, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Embora grande parte da população estivesse no campo, os grupos eram construídos nas cidades. Nas áreas rurais, havia apenas escolas isoladas, com uma sala e alunos de diferentes idades.
A ideia de uma Educação para todos só ganhou força na década de 1920. Nesse período, se destacaram os pioneiros da Escola Nova - Anísio Teixeira (1900-1971), Fernando de Azevedo (1894-1974), Lourenço Filho (1897-1970) e outros -, que defendiam a escola pública e laica, igualitária e sem privilégios.
O estopim das mudanças foi a Reforma Sampaio Dória, em São Paulo, em 1920, que leva o nome do então diretor-geral da Instrução Pública do estado, Antonio de Sampaio Dória (1883-1964). Preocupado com o fato de metade da população de 7 a 12 anos estar fora da escola e com um baixo orçamento, ele propôs uma etapa inicial de dois anos (equivalente ao começo do Ensino Fundamental atual), gratuita e obrigatória.
O projeto foi engavetado rapidamente, mas abriu espaço para ações estruturais em vários estados. Em um período de seis anos, educadores lideraram reformas no Ceará, no Paraná, no Rio Grande do Norte, na Bahia, em Minas Gerais, no Distrito Federal e em Pernambuco. Segundo Saviani, elas alteraram a instrução pública em aspectos como a ampliação da rede de escolas e a reformulação curricular.
Paralelamente, a corrente anarquista conquistou espaço e passou a influenciar a Educação. Foram fundadas escolas operárias em quase todos os estados, geridas pela comunidade. Tendo como base a Pedagogia libertária e as ideias do espanhol Francisco Ferrer y Guardia (1859-1909), as instituições fugiam do dogmatismo e fundamentavam o currículo na ciência.
Incomodada com a perda de espaço, a Igreja católica também orquestrou uma reação, pressionou os governos para o restabelecimento do ensino religioso, publicou livros didáticos e artigos em revistas e jornais e continuou a atuar na formação de professores. Da mesma maneira, as elites tentavam reconquistar seu poder. De outro lado, os escolanovistas cresciam cada vez mais e se preparavam para a publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, já no governo de Getúlio Vargas (1882-1945).
O estopim das mudanças foi a Reforma Sampaio Dória, em São Paulo, em 1920, que leva o nome do então diretor-geral da Instrução Pública do estado, Antonio de Sampaio Dória (1883-1964). Preocupado com o fato de metade da população de 7 a 12 anos estar fora da escola e com um baixo orçamento, ele propôs uma etapa inicial de dois anos (equivalente ao começo do Ensino Fundamental atual), gratuita e obrigatória.
O projeto foi engavetado rapidamente, mas abriu espaço para ações estruturais em vários estados. Em um período de seis anos, educadores lideraram reformas no Ceará, no Paraná, no Rio Grande do Norte, na Bahia, em Minas Gerais, no Distrito Federal e em Pernambuco. Segundo Saviani, elas alteraram a instrução pública em aspectos como a ampliação da rede de escolas e a reformulação curricular.
Paralelamente, a corrente anarquista conquistou espaço e passou a influenciar a Educação. Foram fundadas escolas operárias em quase todos os estados, geridas pela comunidade. Tendo como base a Pedagogia libertária e as ideias do espanhol Francisco Ferrer y Guardia (1859-1909), as instituições fugiam do dogmatismo e fundamentavam o currículo na ciência.
Incomodada com a perda de espaço, a Igreja católica também orquestrou uma reação, pressionou os governos para o restabelecimento do ensino religioso, publicou livros didáticos e artigos em revistas e jornais e continuou a atuar na formação de professores. Da mesma maneira, as elites tentavam reconquistar seu poder. De outro lado, os escolanovistas cresciam cada vez mais e se preparavam para a publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, já no governo de Getúlio Vargas (1882-1945).
Assinar:
Postagens (Atom)